quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O pêso de um pouco de palha

Um fidalgo ao chegar ao seu castelo,depois de uma caçada,encontra a mulher indisposta e chorando.
-O que se passa contigo? Qual o motivo desse teu desgosto? Pergunta-lhe.
-Tenho um pedido a fazer-te,mas já sei,de antemão,que não me atenderás.Esse é o motivo da minha queixa,do meu choro.
-Depois de um dia de tanto sucesso na caçada,não tem o que me tire o bom humor,peça-me e de bom grado eu o farei.
-Há uns missionários religiosos,ai no celeiro,que me pediram guarida por uma noite e um pouco de comida para saciarem a fome.Estão aguardando a tua aprovação.
-Vagabundos,fariseus hipócritas.Sob pretexto de orações procuram vantagens.Aqui não! Berra o fidalgo.
-Por favor,retrucou a senhora.Eles não tem onde passar a noite e já é tarde para despedi-los.
-Vou já cuidar desse caso,disse o fidalgo.
-O que vos trazem aqui? Pergunta o nobre senhor aos religiosos,já no celeiro.
-Nos perdemos e viemos dar nesta paragem.Se não for incômodo, permita-nos passarmos a noite aqui no seu celeiro.
-O que fazem para ganharem a vida?Pergunta o fidalgo.
-Somos missionários e pregamos a Cristo e Esse crucificado,mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia para a nossa justificação.E não existe outro nome dado entre os homens pelo qual possamos ser salvos.
-Explica-me isso melhor! Indaga o fidalgo.
E com essa introdução,a conversa arrasta-se noite a dentro,no fim da qual,vemos o fidalgo em lagrimas,de joelhos,pedindo clemência por seus pecados.
Na manhã seguinte,os missionários acordam com o castelo em total arruido.O fidalgo falecera.
Nesta mesma hora estava a alma do fidalgo diante do Juizo Divino.E diante dele uma balança de dois pratos.
Num dos pratos era depositado,pelo anjo do mal, as culpas e pecados cometidos pelo nobre senhor,durante toda a sua vida.E cada vez mais o prato se enchia, e enclinava o fiel da balança para o lado do anjo da maldade,que apelava e reclamava a alma do fidago.Já se via possuidor dessa alma.
O fidalgo aflito a tudo assistia sem nada poder fazer.
Vai daí quando,houve-se uma voz que diz:”Não há nada que se possa fazer para o bem dessa alma”?
Em meio a multidão de anjos,surge um,com um pouco de palha molhadas de lágrimas e coloca no prato oposto da balança,invertendo o ponteiro do fiel.
A alma do fidalgo fora salva.

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